Ação de despejo: quando, como e por que agir?

A ação de despejo é um dos instrumentos jurídicos mais importantes no mercado de locações. Para corretores, imobiliárias e proprietários de imóveis, saber quando agir, como estruturar o processo e por que utilizá-lo pode fazer toda a diferença na segurança imobiliária e na proteção da rentabilidade dos contratos.

Neste artigo, vamos explorar em profundidade as situações que justificam uma ação de despejo, os tipos de garantia que interferem no processo e como agir estrategicamente para evitar prejuízos e garantir seus direitos.


  1. O que é ação de despejo?
  2. Existe um prazo mínimo para entrar com ação de despejo?
  3. Quando vale a pena ingressar com uma ação de despejo?
    1. Situações mais comuns:
  4. Como o tipo de garantia impacta a ação de despejo?
    1. 1. Fiador
    2. 2. Garantia via cartão de crédito
    3. 3. Caução em dinheiro
  5. Qual a importância de cláusulas contratuais bem definidas?
  6. Como entrar com a ação: passo a passo simplificado
  7. E se o inquilino pagar durante o processo?
  8. Perguntas frequentes
    1. Quando posso pedir o despejo liminar?
    2. O fiador me dá mais segurança?
    3. Vale a pena esperar ou entrar com a ação rápido?
  9. Conclusão: agir com estratégia é mais eficaz do que agir com pressa
  10. Quer aprender como aplicar esses conceitos de forma prática e segura?

O que é ação de despejo?

A ação de despejo é um procedimento judicial movido pelo proprietário do imóvel (ou pela imobiliária que o representa) com o objetivo de retomar a posse do bem locado, geralmente por inadimplência do inquilino, descumprimento contratual ou término do prazo contratual sem devolução voluntária.

É um recurso previsto pela Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/91) e pode ser aplicado em diversas situações — mas sua eficácia depende de como e quando é utilizada.


Existe um prazo mínimo para entrar com ação de despejo?

Não. A lei não determina um prazo específico para a entrada da ação, o que significa que, a partir do primeiro dia de atraso no aluguel, o proprietário já pode acionar o judiciário.

No entanto, é fundamental agir com estratégia, levando em conta o histórico do inquilino, a garantia locatícia vigente e o impacto que a decisão pode causar à operação.


Quando vale a pena ingressar com uma ação de despejo?

Situações mais comuns:

  • Atraso reiterado no pagamento do aluguel;
  • Inquilino que permanece no imóvel após o término do contrato;
  • Descumprimento de cláusulas contratuais (como uso indevido do imóvel);
  • Falta de pagamento de encargos (água, IPTU, condomínio, etc.);
  • Recusa em realizar manutenção de responsabilidade do inquilino.

O fator inadimplência ainda é o motivo mais frequente. Mas o tipo de garantia contratual influencia diretamente a forma e o momento ideal para agir — como explicaremos a seguir.


Como o tipo de garantia impacta a ação de despejo?

1. Fiador

  • Não é possível solicitar despejo liminar (desocupação rápida e provisória).
  • A ação pode ser ajuizada já no primeiro dia de inadimplência, mas recomenda-se avaliar o histórico de pagamentos do inquilino.
  • É comum aguardar pelo menos 30 dias de inadimplência, especialmente se o inquilino costuma regularizar o pagamento dentro do mês.

2. Garantia via cartão de crédito

  • Empresas que oferecem este tipo de garantia estabelecem um prazo para exoneração da responsabilidade após o atraso.
  • O melhor momento para entrar com ação de despejo é logo após a carta de exoneração da empresa.
  • Nesses casos, é possível pedir despejo liminar, pois a garantia já não está mais ativa.

3. Caução em dinheiro

  • A maioria dos juízes exige que a dívida supere o valor total da caução para conceder o despejo liminar.
  • Se há 3 meses de aluguel como caução, geralmente é necessário que a inadimplência seja superior a 3 meses para a liminar ser considerada plausível.
  • Ainda assim, alguns juízes negam o pedido de liminar se houver garantia ainda disponível, entendendo que o valor caução pode ser usado para quitar a dívida.

Qual a importância de cláusulas contratuais bem definidas?

A base de uma ação de despejo bem-sucedida está em um contrato de locação redigido de forma objetiva, com cláusulas que:

  • Determinem prazos e consequências do atraso;
  • Identifiquem o tipo de garantia e sua extensão;
  • Definam os critérios para renovação ou desocupação;
  • Estabeleçam responsabilidades claras para inquilino e proprietário.

Um contrato robusto reduz o tempo de tramitação da ação e fortalece a posição do locador diante do juiz.


Como entrar com a ação: passo a passo simplificado

  1. Verifique a garantia e o histórico de pagamento;
  2. Consulte o jurídico ou advogado especializado;
  3. Junte provas da inadimplência (boletos vencidos, comunicação com o inquilino);
  4. Solicite carta de exoneração (se for cartão de crédito);
  5. Elabore a petição com pedido de liminar (se aplicável);
  6. Protocole a ação no tribunal competente;
  7. Aguarde despacho e manifestação judicial.

E se o inquilino pagar durante o processo?

É possível. A Lei do Inquilinato permite que o inquilino pague os valores devidos até a audiência de conciliação, com atualização monetária e honorários, para evitar o despejo.

Esse mecanismo, conhecido como “purgação da mora”, pode ser feito uma única vez a cada 24 meses, conforme o artigo 62 da Lei nº 8.245/91.


Perguntas frequentes

Quando posso pedir o despejo liminar?

Quando há garantia via cartão de crédito já exonerada ou quando a dívida ultrapassa o valor do caução.

O fiador me dá mais segurança?

Sim, mas retarda a possibilidade de despejo liminar, já que não permite desocupação imediata.

Vale a pena esperar ou entrar com a ação rápido?

Depende do histórico do inquilino, valor em atraso e estratégia da imobiliária. Cada caso exige avaliação técnica e jurídica.


Conclusão: agir com estratégia é mais eficaz do que agir com pressa

A ação de despejo é um instrumento poderoso para proteger o patrimônio e a rentabilidade dos contratos de locação. Porém, seu uso exige planejamento, conhecimento jurídico e, principalmente, clareza nas cláusulas do contrato.

Saber quando agir, como estruturar a ação e qual a melhor abordagem conforme o tipo de garantia é o que diferencia um processo eficiente de um conflito prolongado.


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